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OFERENDA DE VERSOS

 

NALDOVELHO

 

Se espalhas sementes por onde passas,

eu colho vivências, esperanças esparsas.

Se concretizas o sonho, o reencontro, o abraço,

eu construo distâncias por tudo que faço.

Se trazes tesouros, preciosas essências,

eu tenho quase nada, além de carências.

Se tens um sorriso sempre aceso nos olhos,

eu tenho em meus olhos saudades que choro.

Se vais abraçada a essa gente irmã,

eu tenho a loucura das solitárias manhãs.

E ainda que digas que conheces meus passos,

que tens o remédio pra curar-me o cansaço,

confuso é o caminho, reescrever meu destino,

distante é a foz, corredeiras sem tino.

Pois sou ventania que varre inquieta,

acidentado caminho, escolha incerta,

moinho de vento que venta ao contrário

e da poesia que ouso, fiel relicário.

Senhora dos tempos, da fé que eu professo,

oferenda de versos que eu construo confessos,

abençoa o caminho que eu vivo e vivi.

Quem sabe o amor possa ser meu porvir?

::Postado por Má Oliveira às 12h39
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O POUCO QUE EU SEI

 

NALDOVELHO

 

Sei dos caminhos que nos levam à loucura

e das trilhas, abismos, armadilhas.

Sei do sangue coagulado sobre a ferida

e da dor na cicatriz quando mexida.

Sei do inverno no silêncio do meu quarto,

e das lágrimas, quase sempre não disfarço!

Sei das ruas, vielas, esquinas desertas,

insônia insistente, madrugadas incertas.

Sei do amigo que se recusa ao abraço,

chuva ácida poluindo o riacho.

Sei dos esboços, dos rascunhos, dos sonhos,

projetos engavetados, lado esquerdo, tristonhos.

Sei do livro de contos inacabado,

faz tempo não pego, tenho medo do estrago!

Sei que o tempo tece teias estranhas,

corpo cansado, presa indefesa da aranha!

Sei que amanhã vou acordar setembro,

se me lembro: primavera, flores, temperatura amena!

Sei que no final deste caminho, existe um outro.

Sei da pedra, do limo, das raízes e da solidão.

::Postado por Má Oliveira às 12h37
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